Vicentinho chega à votação fortalecido, e Dorinha tenta preservar a vantagem que teve nas urnas
Quaest aponta deputado à frente no Tocantins, enquanto Directa mostra senadora numericamente na liderança. Divergência entre institutos marca a reta final.

Professora Dorinha (União Brasil) terminou o primeiro turno à frente, mas chega à votação de domingo com essa posição ameaçada. A Quaest divulgada neste sábado, 24 de outubro, aponta Vicentinho Júnior (PSDB) com 59% dos votos válidos, contra 41% da senadora. É uma vantagem expressiva, embora outro levantamento apresente um cenário diferente.
A Directa coloca Dorinha com 51,8% e Vicentinho com 48,2%. A distância de 3,6 pontos está dentro das margens de erro dos candidatos. O contraste impede tratar o resultado como definido e exige olhar para cada pesquisa separadamente.
A liderança do primeiro turno ficou sob pressão
Em 4 de outubro, Dorinha recebeu 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% de Vicentinho. Foram 13.412 votos de diferença. A senadora venceu aquela etapa, mas deixou uma disputa suficientemente próxima para que os apoios e os votos dos candidatos eliminados ganhassem importância.
Primeiro turno · resultado nas urnas
Dorinha conta com o governador Wanderlei Barbosa. Vicentinho recebeu o apoio do vice-governador Laurez Moreira, terceiro colocado no primeiro turno. Esse movimento ampliou sua aliança, embora apoio de liderança não signifique transferência automática de votos.
O que as pesquisas permitem dizer
A Quaest ouviu 2.154 eleitores nos dias 23 e 24 de outubro e informa margem de erro de dois pontos percentuais. Nesse levantamento, a distância entre os candidatos ultrapassa com folga a incerteza amostral.
A Directa entrevistou 1.200 pessoas em 34 municípios, entre 19 e 23 de outubro, com margem de 2,83 pontos. Seu resultado descreve uma eleição apertada, com Dorinha numericamente à frente.
Segundo turno · intenção de voto em votos válidos
Quaest
Directa
Não basta tirar uma média para resolver a contradição. Os levantamentos têm amostras e períodos de coleta distintos. A diferença precisa aparecer na análise, sem escolher apenas o número mais conveniente para uma das campanhas.
O debate colocou o governo no centro
No confronto da TV Anhanguera, na quinta-feira, 22, Vicentinho procurou associar Dorinha aos problemas da administração estadual. Questionou filas na saúde, atendimento hospitalar e obras. A senadora respondeu com propostas, defendeu ações da gestão e cobrou explicações sobre a atuação parlamentar do adversário, incluindo a destinação de emendas.
O encontro expôs a disputa entre a continuidade defendida pela candidata apoiada pelo governador e a alternativa apresentada por Vicentinho. Não há, porém, base para atribuir isoladamente ao debate os números das pesquisas ou declarar que uma atuação decidiu a eleição.
Duas tarefas para o último dia
Para Vicentinho, o desafio é transformar o apoio registrado pela Quaest em comparecimento às urnas. A vantagem nesse levantamento oferece uma posição confortável, mas não entrega votos antecipadamente.
Dorinha precisa demonstrar que sua força eleitoral permanece mais próxima do cenário da Directa. Sua campanha depende de conservar os eleitores do primeiro turno e ampliar esse apoio.
A leitura da reta final favorece Vicentinho na Quaest e mantém Dorinha competitiva na Directa. A divergência é parte central desta eleição. Neste domingo, as urnas mostrarão qual retrato esteve mais perto do eleitor tocantinense.
Metodologia
Os gráficos reproduzem separadamente os números aprovados pela redação. Quaest: 2.154 entrevistados em 23 e 24/10/2026, margem do levantamento de 2 pontos percentuais, confiança de 95%, encomenda da TV Anhanguera; registro TO-03069/2026 informado pela Folha, sem consulta independente ao cadastro. Método de entrevista não documentado nas fontes disponíveis. Directa: SMS, 1.200 pessoas em 34 municípios, de 19 a 23/10/2026, margem do levantamento de 2,83 pontos, confiança de 95%, registro TO-05504/2026 informado pela reportagem; documento integral não conferido.
Votos válidos das pesquisas e votos válidos apurados são bases diferentes. As margens divulgadas são dos levantamentos completos, não uma margem exata comprovada da subamostra de votos válidos; essa ressalva também se aplica à leitura editorial da diferença de 3,6 pontos na Directa. Não se calcula média entre institutos, probabilidade de vitória ou efeito isolado do debate. O primeiro turno usa o total de votos válidos para governador, excluindo brancos e nulos, com os demais candidatos agrupados. As cores identificam os candidatos nominalmente, sem classificação como esquerda ou direita.