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Exército do Lula cresce e leva campanha de Flávio à reação

Canal comandado por André Janones reúne milhões no WhatsApp, distribui tarefas aos apoiadores e provoca uma contraofensiva nas redes e no TSE.

Redação Parlatório BR|

André Janones e Lula lado a lado, de braços cruzados, usando camisetas pretas com a frase "Quem manda é o povo"
Foto de arquivo: André Janones e Lula durante live sobre o Auxílio Emergencial, em 13 de agosto de 2022. · Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial · CC BY-SA 4.0 · Fonte da foto

André Janones transformou um canal de WhatsApp em uma frente de pressão sobre a campanha de Flávio Bolsonaro. À frente do Exército do Lula, o deputado federal da Rede de Minas Gerais distribui orientações aos apoiadores do presidente, coordena ações nas redes e ajuda a colocar o adversário na defensiva.

O tamanho da mobilização chama atenção. Segundo levantamento do UOL, às 11h desta quinta-feira (22), o canal havia ultrapassado oito milhões de seguidores. A Tropa do Flávio, iniciativa do campo adversário, reunia cerca de 2,1 milhões. Os números mostram o alcance potencial das mensagens, mas não medem quantos eleitores participam das ações ou mudam de voto.

Uma orientação, milhares de participantes

Embora seja frequentemente chamado de grupo, o Exército do Lula funciona como um canal: Janones publica mensagens para uma audiência que recebe orientações comuns. As tarefas incluem divulgar conteúdos, participar de mobilizações e levar determinados assuntos às buscas e às redes sociais.

Criado em abril, o espaço passou a ser usado mais intensamente na campanha depois do primeiro turno. Em 13 de outubro, foi registrado pela campanha de Lula na Justiça Eleitoral, após determinação judicial.

A força desse modelo está na organização. Em vez de esperar que cada apoiador decida o que compartilhar, Janones oferece um assunto e uma tarefa. A repetição pode ampliar a circulação de uma mensagem e obrigar o adversário a gastar tempo respondendo a ela.

O incômodo virou reação

A preocupação no entorno de Flávio foi relatada pela Folha de S.Paulo ainda no início do segundo turno. Integrantes da campanha disseram ao jornal que a circulação pelo WhatsApp era mais difícil de acompanhar do que as publicações em redes abertas.

A resposta incluiu o fortalecimento da Tropa do Flávio, a convocação pública de apoiadores e um site para apresentar posições do candidato sobre assuntos que circulavam nas redes. A campanha também acusou adversários de disseminar informações falsas.

A disputa chegou ao TSE. Em uma das ações, Flávio pediu medidas contra o canal e atribuiu a Janones a coordenação de conteúdos desinformativos e ofensivos. Ao determinar esclarecimentos, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, ressaltou que receber a ação não significava reconhecer as acusações, cuja análise dependeria das provas.

Em nova petição apresentada no dia 20, a campanha de Flávio questionou ações destinadas a elevar buscas negativas e hashtags. Janones, por sua vez, orientou seus seguidores a manter a mobilização eleitoral, sem concentrar a atenção na disputa judicial.

A atenção já foi conquistada. O voto é outra disputa

As reações públicas e judiciais mostram que o canal passou a ocupar espaço nas decisões da campanha adversária. Isso permite identificar seu peso na comunicação, mas ainda não comprova efeito sobre o resultado eleitoral.

O desafio de Janones é fazer essa energia alcançar pessoas além dos apoiadores já convencidos. Para Flávio, a dificuldade é responder aos ataques sem deixar que o adversário escolha, todos os dias, o assunto da campanha.