Flávio chega à véspera com vantagem nas pesquisas e nas apostas, mas disputa segue aberta
Datafolha e Quaest apontam 51% a 49% nos votos válidos. Último debate produziu momentos de desgaste, sem evidência suficiente de uma mudança decisiva na eleição.

Flávio Bolsonaro (PL) chega à véspera do segundo turno com sinais favoráveis em duas frentes: aparece numericamente à frente nas últimas pesquisas Datafolha e Quaest e mantém favoritismo no Polymarket. O debate da Globo, última grande oportunidade de confronto direto com Lula (PT), não oferece evidência suficiente de que esse quadro tenha sido revertido.
Isso permite identificar uma vantagem na chegada à votação de domingo, 25 de outubro. Ainda não permite antecipar o vencedor.
Duas pesquisas, o mesmo placar
Datafolha e Quaest divulgaram neste sábado resultados iguais em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais, mantendo os candidatos tecnicamente empatados.
Intenção de voto — votos válidos
Margem de erro de 2 pontos percentuais · 1.620 entrevistas · registro BR-03112/2026
Margem de erro de 2 pontos percentuais · 3.702 entrevistas · registro BR-09158/2026
Datafolha: Flávio 51%, Lula 49%. Quaest: Flávio 51%, Lula 49%. Margem de erro de 2 pontos em ambas; empate técnico.
Os levantamentos reforçam a posição do senador, mas não demonstram uma abertura expressiva de distância. No Datafolha anterior, os dois tinham 50%. A mudança de um ponto para cada lado está dentro da margem de erro.
Para Flávio, o resultado oferece um argumento de continuidade: ele venceu o primeiro turno e permanece numericamente à frente na última rodada. Para Lula, a pequena diferença mantém a possibilidade de vitória.
No Polymarket, favoritismo mais acentuado
Na consulta realizada pelo Parlatório em 24 de outubro, o mercado presidencial do Polymarket atribuía aproximadamente 84% de probabilidade implícita à vitória de Flávio.
Polymarket — probabilidade implícita de vitória
Polymarket em 24 de outubro de 2026: Flávio 84%, Lula 17%.
O número expressa o preço das apostas negociadas na plataforma. Não significa que o candidato tenha 84% dos votos, nem constitui uma probabilidade oficial calculada pelos institutos de pesquisa.
Os participantes também podem reagir às mesmas pesquisas e notícias. Por isso, pesquisas e apostas não devem ser tratadas como confirmações inteiramente independentes de um resultado.
Ainda assim, o contraste é relevante: enquanto as sondagens descrevem uma eleição apertada, os apostadores demonstram preferência mais clara por um dos desfechos.
O debate não encerrou a disputa
O confronto da Globo teve cobranças sobre custo de vida, segurança, políticas sociais e corrupção. Flávio procurou explorar preços e endividamento. Lula defendeu realizações de governo e colocou o adversário sob pressão em determinados momentos.
As avaliações sobre o desempenho foram diferentes. Colunistas do UOL apontaram vantagens para Lula, enquanto Alexandre Borges considerou que não ocorreu o grande episódio de constrangimento que a campanha petista buscava.
À Folha, o cientista político Antonio Lavareda avaliou que Lula venceu o debate por margem clara, mas não esmagadora. Também ponderou que o confronto, isoladamente, não permite afirmar que a eleição tenha virado.
As pesquisas divulgadas no sábado tiveram entrevistas realizadas entre sexta e sábado. Portanto, não isolam o efeito do debate nem permitem atribuir a ele as oscilações registradas.
A vantagem precisa chegar à urna
A leitura conjunta favorece Flávio: liderança numérica nas duas pesquisas e favoritismo nas apostas. Falta, porém, uma medida confiável do quanto o debate poderá influenciar as últimas decisões e a disposição de comparecer às urnas.
Lula continua competitivo. Em uma disputa tão próxima, pequenas diferenças de mobilização podem pesar no resultado.
Flávio termina a campanha com indicadores favoráveis. No domingo, terá de transformar essa posição em votos suficientes para vencer.