Mercado aposta em Flávio, mas compra proteção para domingo
Expectativa de mudança na política econômica anima investidores antes do segundo turno de 25 de outubro. Disputa apertada mantém o risco de uma surpresa.

Parte do mercado financeiro chega ao segundo turno posicionada para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). A aposta aparece na valorização dos ativos brasileiros e na expectativa de que uma troca de governo abra caminho para conter despesas públicas. Ao mesmo tempo, investidores procuram proteção caso as urnas contrariem esse cenário.
No último pregão antes da votação de domingo, 25 de outubro, o dólar caiu 0,96%, para R$ 4,989, e o Ibovespa avançou 0,47%, aos 205.082 pontos, segundo a Folha de S.Paulo. A reportagem relaciona o movimento à expectativa eleitoral, mas também registra outros fatores no radar, como inflação e ambiente internacional.
O que os investidores esperam
Uma pesquisa do Citi com 73 participantes do mercado ajuda a dimensionar as expectativas. Caso Flávio vença, 49,3% esperam alta superior a 5% da Bolsa no primeiro pregão depois da eleição. Outros 48% projetam ganhos entre 1% e 5%, segundo levantamento divulgado pelo UOL.
No cenário de reeleição de Lula (PT), 80% dos entrevistados esperam queda superior a 5% do Ibovespa.
Esses números precisam ser lidos com cuidado. A sondagem pergunta como os ativos poderão reagir a cada resultado. Não mede a probabilidade de vitória dos candidatos, não representa necessariamente todos os investidores e não constitui uma projeção oficial do banco.
A conta por trás da preferência
Segundo analistas ouvidos pela Folha, a expectativa de alternância de poder está associada à possibilidade de mudança na condução fiscal. A aposta é que maior controle das despesas ajude a reduzir os juros e favoreça as empresas.
Ainda há, porém, dúvidas sobre o financiamento das propostas de Flávio. O entusiasmo inicial dependerá das medidas de um eventual governo. Vencer a eleição não resolve, por si só, a conta pública.
A proteção revela a dúvida
A busca por segurança também aparece nas negociações. Levantamento do UOL com dados da B3 mostrou que uma opção de venda do BOVA11, fundo que acompanha o Ibovespa, ficou 72,2% mais cara entre 13 e 21 de outubro.
Esse tipo de contrato pode ajudar a limitar perdas quando a cotação cai. Comprá-lo não significa necessariamente abandonar a aposta na alta. O investidor pode manter sua posição e pagar por proteção.
É essa combinação que marca a reta final: preferência por um resultado, acompanhada do receio de que ele não se confirme. As pesquisas mais recentes indicam uma disputa apertada. Na segunda-feira, 26, o mercado começará a ajustar suas contas ao que os eleitores decidirem.