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SPArtigo de opinião

Segurança pública precisa proteger vidas

Combater o crime exige preparo, controle e responsabilidade sobre cada ação do Estado.

Carlos Grillo|

Ilustração conceitual gerada por IA de colete policial vazio sobre banco de madeira em sala de treinamento iluminada pela janela
Ilustração gerada por IA. Cena fictícia. · Ilustração: IA/Parlatório

Uma pessoa morta durante uma abordagem policial exige explicações. O governo precisa esclarecer o que aconteceu, demonstrar se os procedimentos foram cumpridos e apurar responsabilidades. O uniforme dá autoridade ao agente. Também impõe deveres.

As mortes recentes em ocorrências envolvendo pessoas possivelmente em sofrimento psíquico levaram a Ouvidoria da Polícia de São Paulo a propor uma revisão dos protocolos. Tarcísio de Freitas também anunciou que procedimentos e treinamentos serão revistos.

A revisão é necessária. Precisa, agora, ganhar conteúdo, prazo e acompanhamento público.

O policial pode encontrar uma situação perigosa em poucos segundos. Pode precisar proteger a própria vida, a de um colega ou a de alguém próximo. Justamente por isso, deve chegar à ocorrência com preparo, equipamentos adequados e orientação clara sobre o uso da força.

Colocar um agente diante de uma crise sem essas condições é uma decisão de gestão. O que acontece na rua também precisa ser examinado à luz do treinamento recebido, da supervisão e das condições de trabalho.

Uma política séria de segurança exige investimento em investigação, inteligência e capacidade de enfrentar o crime organizado. Exige igualmente que uma abordagem seja conduzida com técnica e que qualquer morte provocada por um agente público seja apurada com rigor.

As investigações devem estabelecer o que ocorreu em cada caso, respeitando o direito de defesa. A apuração precisa ser independente o suficiente para reconhecer tanto a atuação legítima quanto o abuso. A sociedade perde quando a conclusão é escolhida antes das provas.

Também perde quando o governo anuncia mudanças sem permitir que sejam verificadas. Qual treinamento será alterado? Quantos policiais passarão por ele? Quem avaliará os resultados? O que acontecerá quando uma falha já identificada voltar a ocorrer?

Essas respostas ajudam a proteger a população e os próprios policiais. Um profissional bem preparado deve ter respaldo para agir dentro da lei e segurança de que sua conduta será avaliada por critérios claros.

O debate público costuma premiar a frase mais dura. Governar exige mais trabalho: reduzir o crime, melhorar a investigação e evitar mortes que poderiam ser impedidas.

A população tem o direito de pedir segurança e de cobrar explicações sobre a atuação policial. São exigências que precisam caber na mesma política pública.

Rever protocolos é um começo. A responsabilidade do governo será mostrar o que mudou na próxima ocorrência.

Fontes de apoio