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Rogério Marinho, das reformas econômicas à articulação da direita

Economista e ex-ministro de Bolsonaro, o senador potiguar ganhou projeção na reforma trabalhista e construiu sua carreira entre o Legislativo e a gestão pública.

Redação Parlatório BR|

Rogério Marinho, de paletó escuro e suéter cinza, sorri em plano médio
Foto de arquivo: Rogério Marinho, então ministro do Desenvolvimento Regional, durante audiência no Palácio do Planalto, em 26 de maio de 2020. · Foto: Marcos Corrêa/PR · CC BY 2.0 · Fonte da foto

Em 2017, Rogério Marinho assumiu a relatoria de uma das propostas mais controversas do governo Michel Temer. A reforma trabalhista alterava regras que faziam parte da vida de milhões de brasileiros e colocava em lados opostos empresários, sindicatos e trabalhadores. Coube ao então deputado do PSDB potiguar defender o texto e negociar sua aprovação na Câmara.

A função lhe deu projeção nacional e associou seu nome à defesa de mudanças nas relações de trabalho. Marinho argumentava que a reforma daria segurança jurídica às empresas e favoreceria a criação de empregos. Seus críticos apontavam o risco de enfraquecer a proteção dos trabalhadores, sobretudo nas negociações com os empregadores.

O debate ajuda a entender o espaço que ele conquistou na política. Antes de se tornar um dos nomes do bolsonarismo no Senado, Marinho já havia construído uma carreira em torno da atividade parlamentar, da administração pública e da negociação de reformas econômicas.

O começo em Natal

Rogério Simonetti Marinho nasceu na capital do Rio Grande do Norte em 26 de novembro de 1963. Economista e professor, foi vereador pelo PSB e presidiu a Câmara Municipal de Natal. Também ocupou a Secretaria Municipal de Planejamento e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

A passagem pelo PSB costuma chamar atenção diante de seu alinhamento posterior com a direita. Entre uma fase e outra, esteve no PSDB, partido pelo qual exerceu mandatos de deputado federal e relatou a reforma trabalhista. Chegou ao PL com experiência acumulada tanto na disputa eleitoral quanto no funcionamento dos governos.

A marca das reformas

A proposta relatada por Marinho ampliou a possibilidade de acordos coletivos prevalecerem sobre a legislação em determinados assuntos e tornou facultativa a contribuição sindical. Eram mudanças que atingiam o poder de negociação das entidades e o financiamento dos sindicatos, além das regras dos contratos de trabalho.

Para seus defensores, a legislação precisava acompanhar as transformações do mercado. Para os opositores, flexibilizar as regras em uma relação desigual poderia deixar o trabalhador mais vulnerável. Marinho assumiu a defesa da proposta e passou a ter nessa atuação uma referência de sua identidade política.

No governo Jair Bolsonaro, levou essa experiência à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia. Participou da articulação da reforma da Previdência aprovada em 2019. Em fevereiro de 2020, tomou posse como ministro do Desenvolvimento Regional.

A troca de função ampliou sua relação com estados e municípios. A pasta reunia políticas de habitação, saneamento, segurança hídrica, defesa civil e desenvolvimento regional. Além de negociar propostas no Congresso, passou a responder por programas e ações com execução nos territórios.

A entrada no Senado

Em 2022, Marinho foi eleito senador pelo Rio Grande do Norte, pelo PL, para um mandato de 2023 a 2031. A proximidade com Bolsonaro e a passagem pelo ministério faziam parte da trajetória com que chegou à Casa.

Sua primeira disputa interna veio no dia da posse. Em fevereiro de 2023, concorreu à presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco e recebeu 32 votos. Pacheco venceu com 49. Embora derrotado, Marinho começou o mandato à frente de uma candidatura que reuniu parte expressiva dos senadores e lhe deu visibilidade na oposição ao governo Lula.

A ligação com o bolsonarismo ocupa um lugar importante em sua biografia, mas não explica sozinha seu percurso. Marinho chegou a esse campo depois de passar pela política municipal, por secretarias, pela Câmara dos Deputados e pelo governo federal. Foi na defesa das reformas, sobretudo a trabalhista, que construiu a projeção que o acompanharia até o Senado.

Fontes