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Quem não votou também pode decidir a eleição

Mais de 33 milhões de eleitores faltaram ao primeiro turno. Na disputa entre Lula e Flávio, mobilizar quem ficou em casa pode ser tão importante quanto conquistar os indecisos.

Redação Parlatório BR|

Cabine de votação da Justiça Eleitoral, com a urna eletrônica sobre uma carteira escolar, sem nenhum eleitor diante dela
Foto de arquivo: cabine de votação sem eleitor em Guaraciaba do Norte (CE), nas eleições municipais de 15 de novembro de 2020. · Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado · CC BY 2.0 · Fonte da foto

Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro disputam os eleitores dos candidatos eliminados, existe outro público decisivo fora dessa conta: quem não compareceu às urnas.

A abstenção no primeiro turno foi de 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de pessoas, segundo dados da Justiça Eleitoral. Em termos simples, cerca de um em cada cinco eleitores aptos não votou.

Um em cada cinco eleitores não votou

Primeiro turno de 2026, % do eleitorado apto

Compareceram 78,92% dos eleitores aptos; abstenção de 21,08%, cerca de 33,4 milhões de pessoas.

Fonte: Justiça Eleitoral. Abstenção de 21,08%, cerca de 33,4 milhões de pessoas; comparecimento calculado por diferença.

Esse contingente supera com folga a diferença entre os dois candidatos. Mas seu tamanho não permite concluir quem seria beneficiado por um aumento no comparecimento. Para isso, seria necessário conhecer as preferências de quem faltou.

Ausentes somam cerca de 15 vezes a diferença

Primeiro turno de 2026, em milhões de pessoas e de votos

Cerca de 33,4 milhões de eleitores ausentes, contra uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Fonte: Justiça Eleitoral e TSE (boletim com 99,99% das seções). Valores aproximados. O tamanho do grupo não indica em quem os ausentes votariam.

Ausência não é voto disponível

Há uma diferença importante entre faltar, votar em branco, anular o voto e escolher um candidato que ficou fora do segundo turno.

Quem escolheu outro candidato compareceu e expressou uma preferência. Quem votou em branco ou anulou também foi até a urna. Já a ausência pode estar ligada a dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, compromissos pessoais, desinteresse ou outras razões.

Somar essas pessoas como se formassem um único grupo de indecisos produz uma leitura enganosa da eleição.

Onde a mobilização faz diferença

O dado nacional precisa ser observado junto com a distribuição dos eleitores pelo território. Uma taxa elevada de abstenção em um estado pequeno pode representar menos pessoas do que uma taxa menor em um grande colégio eleitoral.

O mesmo cuidado vale para os redutos dos candidatos. Ter vantagem em determinada região não significa que todos os ausentes dali apoiariam o candidato mais votado.

Para as campanhas, o cruzamento útil combina o tamanho do eleitorado, a quantidade de ausentes e o desempenho de cada candidato. Esse mapa ajuda a orientar a mobilização, mas não revela sozinho como votaria quem ficou em casa.

Convencer a votar é uma tarefa própria

Na reta final, parte do trabalho das campanhas precisa alcançar pessoas que já têm uma preferência, mas podem não comparecer. O TSE anunciou ações para tentar reduzir a abstenção no segundo turno.

Uma votação apertada pode ser decidida tanto por mudanças de escolha quanto por diferenças no comparecimento. Por isso, a pergunta sobre quem vencerá precisa vir acompanhada de outra: quem conseguirá levar seus eleitores até a urna?

Fontes

  • TSE · resultado do primeiro turno
  • Gráficos: abstenção (21,08%, cerca de 33,4 milhões) conforme o texto, com base na Justiça Eleitoral; diferença entre Flávio e Lula (cerca de 2,2 milhões de votos) conforme o boletim do TSE com 99,99% das seções. Valores aproximados.