Motta busca aliados à esquerda para conter avanço do PL na Câmara
Com a maior bancada eleita, partido de Flávio Bolsonaro pressiona pela presidência da Casa. Atual presidente reúne apoios para permanecer no cargo.

A disputa pela Presidência da República ainda não terminou, mas outra eleição já movimenta Brasília. Hugo Motta (Republicanos-PB) busca apoio para continuar no comando da Câmara e encontrou na esquerda aliados interessados em impedir que o PL conquiste também a direção da Casa.
O PSB consolidou seu apoio em reunião na quarta-feira (21). O PDT já havia anunciado a mesma posição na semana anterior. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, são os primeiros partidos mais à esquerda a declarar apoio à reeleição de Motta.
O tamanho da bancada não resolve sozinho
O PL elegeu 121 deputados, 24 a mais que em 2022. Terá a maior bancada da próxima legislatura, mas continuará distante de controlar sozinho uma Câmara com 513 integrantes. A federação PT-PCdoB-PV, segunda maior força, elegeu 88 representantes.
Essa distribuição abre espaço para Motta. Sua tentativa é reunir partidos que divergem sobre o governo, mas encontram razões para apoiar o mesmo presidente da Câmara.
Segundo reportagem da Folha, o movimento envolve lideranças do centrão e da esquerda. O PSD também declarou apoio ao atual presidente. Antônio Brito, líder da legenda e antes apontado como possível concorrente, passou a integrar essa articulação.
Uma convergência com interesses diferentes
Para a esquerda, apoiar Motta pode ajudar a evitar um comando diretamente alinhado ao bolsonarismo. Para partidos do centro, a permanência oferece uma alternativa à ampliação do poder do PL dentro do Legislativo.
Essa aproximação não elimina divergências nem transforma os participantes em uma base única. É um acordo em torno do comando da Casa, cujos integrantes poderão continuar em lados opostos nas votações.
A presidência importa porque participa da definição da pauta, conduz as sessões e influencia o ritmo dos projetos. É um posto estratégico tanto para o governo quanto para a oposição.
O PL chega à negociação com mais deputados. Motta tenta responder com mais aliados. A eleição da Mesa mostrará qual dessas vantagens terá maior peso.