Quem vencer no DF terá de enfrentar a fila da saúde
Ampliar o atendimento e recuperar o BRB estarão entre as principais cobranças sobre o próximo governo, independentemente do resultado das urnas.

A eleição vai definir quem comandará o Distrito Federal. Mas há uma cobrança que chegará ao gabinete do vencedor antes mesmo da posse: fazer a saúde pública funcionar melhor. Para quem aguarda uma consulta, um exame ou uma cirurgia, o resultado que importa é conseguir atendimento.
Há avanços que precisam ser reconhecidos. Segundo dados da Secretaria de Saúde divulgados pelo Correio Braziliense, o DF realizou 36.442 cirurgias eletivas entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 35,89% sobre o mesmo período de 2025. A expansão foi associada ao programa Opera DF, que combina serviços públicos e contratação de hospitais privados.
Produzir mais procedimentos, porém, não permite concluir, sozinho, que o problema das filas foi resolvido. É preciso acompanhar quantas pessoas entram na espera, quantas são atendidas e quanto tempo cada especialidade exige do paciente. Uma melhora em determinado procedimento pode conviver com dificuldades em outros.
O próprio Ministério Público do DF disponibiliza painéis com dados oficiais sobre consultas, exames e cirurgias. O órgão também explica que a prioridade na regulação deve seguir critérios clínicos. Isso significa que fiscalizar a fila exige olhar tanto para a demora quanto para a gravidade de cada caso.
Para o próximo governo, o desafio será transformar iniciativas de ampliação do atendimento em um serviço contínuo. Contratação de profissionais, abastecimento, manutenção de equipamentos e integração entre unidades precisam fazer parte da mesma estratégia. Metas públicas por especialidade ajudariam a distinguir anúncio de resultado.
Ao lado dessa agenda estará a recuperação do BRB. Em junho, a Agência Brasil informou que o banco precisava de R$ 8,8 bilhões para enfrentar perdas relacionadas às operações com o Master. O valor retrata a necessidade divulgada naquele momento.
São desafios diferentes, que exigem transparência sobre custos, prazos e responsabilidades. Na saúde, a medida do sucesso será o acesso ao atendimento. No BRB, será a capacidade de recuperar a instituição e esclarecer os riscos e os custos das soluções adotadas.
Quem vencer terá de apresentar respostas verificáveis para ambos. A campanha pode até terminar na urna, mas a espera por atendimento continua até que o serviço chegue.