Max Maciel: de Ceilândia ao topo da votação no DF
Pedagogo e ligado aos movimentos culturais da periferia, o deputado chega ao segundo mandato com 92.234 votos e maior responsabilidade política.

Quando estreou na tribuna da Câmara Legislativa, em fevereiro de 2023, Max Maciel falou sobre sobrevivência. Ao recordar a trajetória nos movimentos sociais e culturais de Ceilândia, relacionou sua chegada ao Parlamento às dificuldades enfrentadas pela juventude negra e periférica. “Ainda sou exceção no meu território”, disse naquela sessão.
Quase quatro anos depois, o deputado do PSOL encerrou a eleição de 2026 na primeira posição entre os candidatos à CLDF. Foram 92.234 votos, contra os 35.758 que o elegeram em 2022. Sua votação cresceu cerca de 158% entre as duas disputas.
Nascido em Ceilândia, Max é formado em pedagogia e tem especialização em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Universidade de Brasília. Sua atuação política foi construída nos movimentos estudantis, sociais e culturais, antes de conquistar uma cadeira no Legislativo.
A origem ajuda a compreender as pautas que escolheu levar ao mandato. Transporte público, acesso à cidade e desigualdade aparecem no centro dessa atuação. Na Câmara, assumiu a presidência da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana, espaço que colocou o funcionamento de ônibus e metrô entre os temas de sua atividade parlamentar.
O salto nas urnas amplia sua projeção, mas os números, sozinhos, não explicam de onde veio todo esse crescimento. Para identificar quais regiões e públicos sustentaram a expansão, é necessário examinar a distribuição dos votos. Nascer em Ceilândia e fazer da periferia uma referência política não permite presumir que sua votação esteja concentrada ali.
Há também uma diferença entre liderar a eleição e comandar decisões na Câmara. A primeira posição dá visibilidade e reforça o peso político do deputado. Aprovar propostas, fiscalizar o Executivo e influenciar o orçamento continuam dependendo do trabalho parlamentar e da capacidade de construir apoios.
Max começará o próximo mandato com uma votação muito maior que a da estreia. O resultado amplia o espaço para suas pautas e a cobrança sobre sua atuação. O desafio será mostrar como essa força eleitoral se traduz em mudanças concretas para a população que pretende representar.