PL perde tempo com a crise de Flávio, mas se reorganiza enquanto Lula pavimenta o Lula 4
Após a derrota presidencial e a saída de Flávio do país, o PL reorganiza sua atuação enquanto Lula negocia o próximo mandato.

O PL esperava fazer barba, cabelo e bigode. Depois da derrota de Flávio Bolsonaro, porém, o partido teve de lidar com a ida repentina do senador para os Estados Unidos e com a carta em que contestou o resultado da eleição. Valdemar Costa Neto disse que não gostou do texto. Enquanto o episódio ocupa espaço, Lula se movimenta para pavimentar o caminho do próximo mandato.
Lula reuniu-se com Hugo Motta e Davi Alcolumbre e sinalizou apoio à permanência dos dois no comando da Câmara e do Senado. Lula 3 quer deixar o caminho pavimentado para Lula 4, negociando governabilidade e pautas com o Congresso atual antes da posse de uma legislatura mais conservadora.
O PL, porém, sabe o tamanho do que está em jogo. O Senado é estratégico para uma de suas principais bandeiras: o impeachment de ministros do Supremo. Cabe à Casa processar e julgar esses pedidos, e o partido já defendeu mudanças para facilitar que eles cheguem à pauta. Na Câmara, por sua vez, cabe aos deputados autorizar, por dois terços dos votos, a abertura de processo por crime de responsabilidade contra o presidente da República. Ter influência nas duas Casas pode dar ao PL força para pressionar o governo e levar essas pautas adiante, embora não garanta que qualquer processo avance.
E o Lula 4 já terá uma prova de fogo: a CBS, novo tributo sobre o consumo, teve alíquota de referência calculada pelo TCU em 11,3%, acima dos 9,21% estimados anteriormente. O tema mexe diretamente com a economia e deve exigir explicações do governo. Esse assunto merece um artigo à parte.
As eleições acabam, mas as disputas apenas começam. Esse é o jogo de poder no Brasil. Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos.
Elisson Ferreira — Jornalista e ex-candidato ao Governo do Distrito Federal