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O preço da nova maioria de Lula

Presidente quer vincular espaço nos ministérios a apoio no Congresso. Negociação passa por Motta, Alcolumbre e partidos que terão de escolher quanto pretendem se comprometer com o governo.

Redação Parlatório BR|

Hugo Motta, Lula e Davi Alcolumbre de pé diante das bandeiras brasileiras; Lula fala ao microfone no centro
Foto de arquivo: Lula, entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre, durante encontro no Palácio do Planalto, em Brasília, em 3 de fevereiro de 2025. · Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil · Reprodução jornalística autorizada com crédito · Fonte da foto

Lula venceu a eleição, mas ainda precisa construir a maioria com a qual pretende governar. A negociação começa com uma cobrança: participar da Esplanada deverá exigir mais do que indicar ministros. O presidente quer compromissos de apoio às propostas do Executivo no Congresso.

Segundo apuração da Folha, a intenção é distribuir espaço levando em conta os votos que cada grupo se dispõe a entregar. O objetivo é evitar a repetição de uma situação conhecida do atual mandato: partidos com cargos no governo que se declaram independentes e ajudam a derrotá-lo no plenário.

A mudança anunciada parece simples. Colocá-la em prática será mais difícil. Dirigentes partidários negociam a participação no governo, mas nem sempre conseguem assegurar o comportamento de toda a bancada.

Motta e Alcolumbre entram no desenho

Lula pretende dar protagonismo aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na articulação da nova base.

De acordo com a Folha, o presidente discutiu essa aproximação em reunião com os dois no dia seguinte à eleição. O plano inclui apoio à recondução de ambos ao comando das Casas e uma relação mais próxima com o Legislativo no próximo mandato.

O movimento interessa aos três. Lula precisa de uma base que aprove propostas. Motta e Alcolumbre buscam apoio para permanecer nas presidências e influência sobre a organização do novo governo.

Isso não significa que os dois possam garantir todos os votos necessários ao Planalto. A presidência de uma Casa oferece instrumentos de articulação e controle da pauta, mas não transforma bancadas diferentes em um bloco de comportamento uniforme.

O ministério entra na conta

As conversas iniciais com partidos de centro ficarão a cargo do presidente do PT, Edinho Silva. Segundo o Metrópoles, os encontros devem começar depois de Finados, com a definição da equipe prevista para dezembro.

A distribuição de cargos deverá considerar o compromisso das legendas com a agenda do Executivo. Até aqui, trata-se de um critério anunciado para a negociação, não de uma base já formada.

O governo terá de avaliar quem efetivamente representa votos e quem negocia um espaço maior do que consegue sustentar. Um ministro indicado por uma liderança pode manter boa relação com o presidente sem conseguir mobilizar os deputados de seu próprio partido.

É essa diferença entre presença no governo e apoio no Congresso que Lula pretende reduzir.

Há aliados antigos na mesma fila

A montagem da equipe também terá de acomodar pessoas que participaram da campanha e não conquistaram mandato. Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta estão entre os nomes mencionados nas discussões sobre o próximo governo, segundo a Folha.

O presidente, portanto, negociará em duas frentes: reconhecer o papel de aliados e abrir espaço para grupos que podem ampliar sua sustentação parlamentar. Pastas e cargos disponíveis para uma dessas tarefas deixam de estar disponíveis para a outra.

O tamanho dessa disputa dependerá também da agenda. Partidos podem apoiar uma proposta econômica e rejeitar uma mudança na segurança pública. Uma declaração geral de participação no governo não elimina essas diferenças.

O primeiro teste vem antes de 2027

A articulação já precisa produzir resultados no mandato atual. Na conversa com Motta e Alcolumbre, Lula pediu prioridade para a PEC da Segurança Pública, cuja aprovação precede a criação de um ministério específico para a área, uma de suas promessas de campanha.

A votação poderá mostrar quanto a aproximação entre as lideranças se traduz em apoio concreto. Também ajudará o governo a identificar onde há acordo e quais obstáculos continuam.

O preço da nova maioria será medido em espaço político, concessões e escolhas de governo. Para Lula, o desafio é saber o que receberá em troca. A composição da Esplanada aparecerá nos anúncios de ministros. A consistência da aliança será conhecida no plenário.

Fontes