Alcolumbre tenta segurar o Senado diante do avanço do PL
Rogério Marinho aparece como alternativa da direita, enquanto o atual presidente busca apoios que atravessam a divisão entre governo e oposição.

A eleição para a presidência do Senado será em 2027, mas a negociação já acompanha a reta final da disputa pelo Planalto. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta permanecer no comando da Casa. Do outro lado, o PL busca transformar seu crescimento nas urnas em poder no Congresso, com Rogério Marinho (PL-RN) entre os nomes para ocupar a cadeira. O confronto, porém, ainda depende de acordos e não está fechado em duas candidaturas.
Alcolumbre trabalha para reunir votos além das fronteiras partidárias. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 14 de outubro, ele tem o compromisso de apoio de Lula e conta com parlamentares do centrão e até do PL. A votação secreta permite que o apoio anunciado pelas bancadas não se traduza integralmente no resultado.
É nesse espaço que o atual presidente tenta se manter competitivo. Sua estratégia, conforme a mesma reportagem, passa pelo argumento de que um Senado comandado pelo partido de um eventual presidente Flávio Bolsonaro teria menos força para negociar com o Executivo. Para os senadores, preservar influência sobre o governo também entra na escolha de quem comandará a Casa.
Marinho ocupa outro lugar nessa negociação. Coordenador da campanha de Flávio, é apontado como uma opção para levar o PL à presidência do Senado. Mas o partido também discute como dividir o comando do Congresso com aliados: ficar com uma Casa pode exigir abrir mão da outra. Tereza Cristina (PP-MS) aparece entre as alternativas nessa composição.
A resistência da direita a Alcolumbre tem um motivo central: sua condução dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Ele recebeu apoio do PL para chegar à presidência em 2025, mas a relação se desgastou com a cobrança para que esses pedidos avançassem. A aproximação com Lula acrescentou tensão à disputa.
Isso torna o segundo turno presidencial uma peça importante da negociação. Uma vitória de Flávio daria ao PL mais força para reivindicar o comando de uma das Casas. Uma vitória de Lula mudaria os incentivos dos partidos e o peso das alianças. Nenhum dos resultados, sozinho, entregaria a presidência do Senado a um candidato.
Até fevereiro, o desafio de Marinho será converter a força do partido em uma maioria que aceite seu nome. O de Alcolumbre será mostrar que ainda consegue reunir essa maioria, mesmo entre senadores que estarão em campos opostos na eleição presidencial.
A disputa começa com as bancadas, mas será decidida na capacidade de buscar votos fora delas.