Depois da eleição, Celina quer abrir diálogo com Lula para destravar o BRB
Governadora anuncia que pedirá audiência com o presidente e mantém Nelson de Souza no banco. Aproximação política ainda precisa superar impasses sobre financiamento e garantias.

Celina Leão (PP) quer aproveitar o fim da disputa eleitoral para retomar o diálogo com o governo Lula sobre a recuperação do Banco de Brasília. Reeleita no domingo, a governadora afirmou à CBN Brasília, na terça-feira (27), que pedirá uma audiência com o presidente para tratar da crise.
A iniciativa abre uma nova etapa na relação entre os dois, marcada por embates durante a campanha. Ainda é uma intenção de negociação: o anúncio não significa que a reunião esteja agendada nem que exista acordo para socorrer o banco.
Do confronto à negociação
Celina apoiou Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Lula esteve ao lado de Leandro Grass na disputa pelo governo do DF. A situação do BRB tornou-se um dos principais pontos de confronto entre os dois campos.
Passada a votação, a governadora passou a defender a retirada do componente eleitoral das conversas. Ao Metrópoles, afirmou ser o “momento certo para conversar” com a União sobre o banco. Na entrevista à CBN, também disse discordar dos questionamentos de Flávio à integridade da apuração.
A sinalização tem importância política. Celina precisará negociar com o presidente que ajudou a enfrentar, enquanto Lula terá de lidar institucionalmente com uma governadora eleita pela oposição. A recuperação de um banco controlado pelo DF exige interlocução entre administrações que continuarão em campos diferentes.
O impasse vai além da campanha
O fim da eleição pode melhorar o ambiente das conversas, mas não elimina os obstáculos financeiros.
O GDF busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos para capitalizar o BRB. O desenho das garantias segue em disputa. Em manifestação ao STF antes do segundo turno, a Advocacia-Geral da União rejeitou a tentativa de obrigar o governo federal a garantir a operação.
Segundo reportagem da Folha, a União argumentou que o acordo anterior previa financiamento sob risco privado. A manifestação também apontou a classificação C do DF na avaliação de capacidade de pagamento como obstáculo à concessão de garantia federal.
Isso significa que uma conversa com Lula pode ajudar a construir alternativas, mas não substitui a definição de condições, garantias e responsabilidades.
Nelson de Souza permanece
Celina confirmou que manterá Nelson Antônio de Souza na presidência do BRB. O executivo assumiu a instituição em novembro de 2025, depois da exoneração de Paulo Henrique Costa, em meio à crise envolvendo operações com o Banco Master.
A permanência mantém a condução das negociações com o atual presidente. O desafio será apresentar avanços verificáveis na recuperação financeira e na confiança do banco.
Quem assume o risco
Para o brasiliense, a pergunta central é como a solução será financiada e quais compromissos poderão recair sobre as contas públicas.
Um empréstimo pode oferecer recursos imediatos, mas cria obrigações futuras. Uma garantia também tem valor e risco: se o devedor não pagar, alguém poderá ser chamado a responder. Por isso, anunciar uma operação bilionária sem explicar suas condições não basta para demonstrar que o problema foi resolvido.
A avaliação de qualquer proposta precisa considerar juros, prazos, garantias e capacidade de pagamento. Também deve esclarecer os possíveis efeitos sobre o orçamento destinado aos serviços públicos.
A cobrança começa agora
Ao defender o diálogo depois da eleição, Celina assume a tarefa de mostrar que a mudança de ambiente pode produzir resultados. A União, por sua vez, terá de deixar claros os limites e as possibilidades de sua participação.
Até aqui, o fato novo é a disposição anunciada pela governadora para conversar, acompanhada da manutenção do presidente do banco. A recuperação do BRB continua dependendo das condições que sairão dessa negociação.
Para clientes, servidores e contribuintes, o avanço decisivo será uma solução sustentável, com custos e responsabilidades conhecidos. A eleição terminou. A conta do banco ainda precisa ser explicada.