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Tereza Cristina, do campo ao centro das decisões

Engenheira agrônoma, ex-ministra e senadora por Mato Grosso do Sul, ela construiu sua influência na ligação entre produtores rurais, governo e Congresso.

Redação Parlatório BR|

Tereza Cristina, de óculos vermelhos, fala a microfones em entrevista, sem outras pessoas visíveis
Foto de arquivo: Tereza Cristina, então futura ministra da Agricultura, fala aos jornalistas após reunião com a equipe de transição no CCBB, em Brasília, em 8 de novembro de 2018. · Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil · Reprodução jornalística autorizada com crédito · Fonte da foto

Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos do agronegócio em Brasília, Tereza Cristina já conhecia o setor por dentro. Engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa e produtora rural, levou essa experiência para a administração pública, depois para a Câmara dos Deputados e, finalmente, para o Ministério da Agricultura.

Esse percurso ajuda a entender seu espaço na política. Tereza representa um setor que depende de decisões sobre crédito, infraestrutura, impostos, meio ambiente e comércio exterior. Sua carreira se desenvolveu justamente nos lugares em que essas decisões são tomadas.

Nascida em Campo Grande, em 1954, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias pertence a uma família com longa presença na vida pública. Seu bisavô, Pedro Celestino, e seu avô, Fernando Corrêa da Costa, governaram Mato Grosso antes da divisão que deu origem a Mato Grosso do Sul.

O sobrenome tem história, mas sua entrada na política eleitoral veio depois de uma trajetória profissional ligada à produção rural e às entidades do setor. Entre 2007 e 2014, comandou a secretaria estadual que reunia desenvolvimento agrário, produção, indústria, comércio e turismo na gestão de André Puccinelli.

A função a colocou diante de uma tarefa que reapareceria ao longo de sua carreira: conciliar demandas de produtores e empresários com as possibilidades do governo.

A força construída na Câmara

Tereza foi eleita deputada federal em 2014 e reeleita em 2018. Na Câmara, ganhou projeção na Frente Parlamentar da Agropecuária, cuja presidência assumiu em 2018.

A frente reúne parlamentares de diferentes partidos em torno de interesses do setor rural. Presidí-la exige conhecimento das pautas e capacidade de negociar com lideranças que nem sempre estão do mesmo lado em outras disputas.

Foi nessa posição que Tereza passou a ter presença nacional. Em janeiro de 2019, assumiu o Ministério da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro. Permaneceu no cargo até março de 2022.

À frente da pasta, lidou com temas que vão das condições de produção nas propriedades às exigências dos países compradores de alimentos brasileiros. A experiência ampliou sua exposição e consolidou sua associação política com Bolsonaro.

Uma trajetória também marcada por controvérsias

A defesa dos interesses do agronegócio trouxe reconhecimento dentro do setor, mas também críticas.

A liberação de agrotóxicos foi um dos principais pontos de confronto durante sua passagem pelo ministério. Em audiências na Câmara, deputados questionaram os riscos dos produtos para a saúde. Tereza sustentou que os registros obedeciam a critérios técnicos e defendeu a disponibilidade de novas alternativas para os produtores.

O debate revela uma dimensão importante de sua atuação. Decisões defendidas como necessárias à produção têm efeitos que ultrapassam as propriedades rurais e envolvem consumidores, trabalhadores e o meio ambiente.

O mandato no Senado

Em 2022, Tereza Cristina foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul, pelo PP, com 829.149 votos, equivalentes a 60,85% dos válidos. Seu mandato começou em 2023 e vai até 2031.

No Senado, passou a exercer a liderança do partido. A função acrescenta à representação de seu estado e às pautas do campo a responsabilidade de negociar posições da bancada.

É dessa combinação que vem sua influência: experiência de gestão, passagem pelo comando de um ministério, mandato parlamentar e ligação com um setor organizado da economia.

Conhecer Tereza Cristina ajuda a entender como o agronegócio participa da política brasileira. A produção acontece no campo, mas parte importante das condições para produzir, financiar e vender é decidida em Brasília. Foi nessa ligação que ela construiu sua carreira.

Fontes