O que São Paulo está contratando para mudar sua sede
PPP dos Campos Elíseos prevê R$ 6 bilhões em investimentos e cria um compromisso de 30 anos para o estado.

A mudança da sede do governo paulista avançou com a assinatura, em 22 de outubro, da parceria público-privada do novo Centro Administrativo Campos Elíseos. Segundo o governo, o projeto prevê R$ 6 bilhões em investimentos e reunirá cerca de 22 mil servidores hoje distribuídos por quase 40 endereços da capital.
O contrato terá duração de 30 anos. Além da implantação do complexo, a concessionária ficará responsável por serviços de operação e manutenção, como limpeza, segurança e conservação. A remuneração estará ligada ao desempenho previsto no contrato.
O plano inclui o restauro de 17 imóveis tombados e um novo terminal de ônibus. O cronograma divulgado pelo estado prevê primeiras entregas no quarto ano e conclusão das demais quadras no quinto. Antes disso, haverá projetos, licenciamento, desapropriações e reassentamento.
Essas etapas merecem atenção especial. Para os servidores, a mudança envolve deslocamento e condições de trabalho. Para quem vive na região, envolve moradia, circulação e acesso aos serviços durante a transformação do bairro.
Também será necessário acompanhar a conta com cuidado. Os R$ 6 bilhões anunciados são uma estimativa de investimentos. Esse número, sozinho, não informa tudo o que o poder público desembolsará ao longo da parceria. A avaliação precisa considerar os pagamentos, os reajustes e as demais obrigações contratuais.
Concentrar órgãos públicos pode facilitar o funcionamento da administração. Para demonstrar essa vantagem, porém, o governo terá de apresentar resultados verificáveis: despesas comparáveis, instalações funcionando e atendimento preservado.
A assinatura inaugura essa cobrança. A promessa de recuperar uma área da cidade precisará caminhar junto com a proteção de seus moradores e a transparência dos gastos.