O orçamento que espera Cleitinho já prevê déficit de R$ 10,51 bilhões
Proposta para 2027 estima despesas acima das receitas. Diferença coloca as prioridades do próximo governo diante de uma restrição concreta.

Cleitinho Azevedo chegará ao governo de Minas com um orçamento que já prevê gastar mais do que arrecadar. A proposta para 2027 estima receitas de R$ 144,99 bilhões e despesas de R$ 155,50 bilhões. A diferença projetada é de R$ 10,51 bilhões.
O valor aumentou depois de uma alteração encaminhada pelo governador Mateus Simões à Assembleia Legislativa em 14 de outubro. Na versão enviada em setembro, o déficit previsto era de R$ 8,87 bilhões. A receita estimada permaneceu a mesma; a previsão de despesas cresceu.
O que o número significa
O déficit é uma projeção orçamentária. Não significa que esse valor já esteja faltando no caixa nem que todas as despesas previstas serão realizadas. Mostra, porém, uma distância entre a arrecadação esperada e os gastos planejados, que precisará ser administrada durante o ano.
Na justificativa apresentada à Assembleia, o Executivo citou despesas de saúde, educação, pesquisa, segurança, pessoal e serviço da dívida, entre outros compromissos.
Para o cidadão, a questão aparece nas escolhas concretas. Quais serviços serão ampliados? Quais obras terão continuidade? Quanto poderá ser destinado a novas iniciativas sem comprometer o funcionamento do que já existe?
A promessa precisa encontrar financiamento
A votação da proposta pela ALMG será uma primeira oportunidade para esclarecer prioridades. Depois, a fiscalização deverá acompanhar o dinheiro efetivamente arrecadado, os recursos liberados e a execução dos serviços.
Uma dotação no orçamento não garante, sozinha, uma entrega. Também é necessário verificar contratos, equipes, prazos e capacidade de manutenção.
O resultado eleitoral deu a Cleitinho autoridade para governar. O orçamento mostrará o espaço disponível para transformar essa autoridade em políticas públicas. Explicar os limites e as escolhas será parte do trabalho.