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Mulheres avançam no Congresso: esquerda lidera na Câmara, direita no Senado

Próxima legislatura terá 109 deputadas e previsão de 18 senadoras. Levantamento do Brasilhas mostra diferenças no perfil político das duas bancadas.

Redação Parlatório BR|

Bolsa feminina verde-petróleo e microfone gooseneck sobre uma mesa de madeira em plenário fictício, em imagem gerada por IA
Imagem conceitual gerada por IA. Cena fictícia que representa a presença feminina no Congresso. · Imagem gerada por IA / Parlatório

A presença feminina no Congresso alcançará um novo recorde em 2027, mas o crescimento terá perfis políticos diferentes nas duas Casas. Na Câmara, a esquerda concentra o maior grupo de mulheres eleitas. No Senado, a direita fica à frente, embora sem reunir a maioria absoluta da bancada feminina.

A contagem foi feita pelo Parlatório a partir dos nomes e da classificação política do Painel do Congresso 2027, do Brasilhas. O painel considera o partido e o alinhamento individual de cada parlamentar, com ajustes conforme sua atuação e suas alianças.

Na Câmara, mulheres mais que dobram desde 2014

O número de deputadas eleitas passou de 51 em 2014 para 77 em 2018 e chegou a 109 em 2026. Para a comparação com 2022, o balanço publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral em outubro deste ano considera 90 eleitas.

Nessa base, o avanço mais recente foi de 19 cadeiras, ou 21,1%. As mulheres ocuparão 21,2% das 513 vagas da Câmara. Mesmo com o recorde, os homens continuarão com quase quatro de cada cinco assentos.

Deputadas eleitas mais que dobram desde 2014

Mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados, em 513 cadeiras

  • 201451 eleitas · 9,9% das cadeiras
  • 201877 eleitas · 15,0% das cadeiras
  • 202290 eleitas · 17,5% das cadeiras
  • 2026109 eleitas · 21,2% das cadeiras

Deputadas eleitas: 51 em 2014, 77 em 2018, 90 em 2022 e 109 em 2026, quando passam a ocupar 21,2% das 513 cadeiras.

Resultado de cada eleição, não mulheres em exercício. Base 2022: balanço do TSE de outubro de 2026 (90 eleitas); outras publicações registram 91. Percentuais calculados pelo Parlatório. Fontes: Câmara dos Deputados e TSE.

Pela classificação do Brasilhas, as 109 deputadas se distribuem entre 47 de esquerda, 35 de direita e 27 de centro. A esquerda reúne 43,1% da bancada feminina, contra 32,1% da direita e 24,8% do centro.

O resultado contrasta com a composição geral da Câmara no mesmo painel: 220 deputados à direita, 169 ao centro e 124 à esquerda. As mulheres representam 37,9% do grupo de esquerda, mas apenas 15,9% do grupo de direita.

Esquerda lidera na Câmara, direita no Senado

Distribuição das bancadas femininas por espectro político, segundo o Painel do Congresso 2027

Câmara dos Deputados · 109 deputadas eleitas

  • Esquerda: 47 (43,1%)
  • Centro: 27 (24,8%)
  • Direita: 35 (32,1%)

Senado Federal · projeção de 18 senadoras em 2027

  • Esquerda: 6 (33,3%)
  • Centro: 5 (27,8%)
  • Direita: 7 (38,9%)

Senado Federal · apenas as 12 eleitas em 2026

  • Esquerda: 4 (33,3%)
  • Centro: 3 (25,0%)
  • Direita: 5 (41,7%)

Câmara: 47 deputadas de esquerda, 27 de centro e 35 de direita, em 109. Senado, projeção 2027: 6 de esquerda, 5 de centro e 7 de direita, em 18. Senadoras eleitas em 2026: 4 de esquerda, 3 de centro e 5 de direita, em 12.

Classificação editorial do Brasilhas, definida parlamentar a parlamentar a partir do partido, da atuação e das alianças; contagem feminina feita pelo Parlatório. A projeção do Senado inclui suplentes em exercício e pode mudar com substituições. Fonte: Brasilhas · Painel do Congresso 2027.

Entre os partidos, o PT elegeu 25 deputadas e o PL, 22. Os dois têm forte presença feminina, mas essa representação ocupa um espaço proporcionalmente maior na bancada petista.

No Senado, direita tem o maior grupo

A projeção do Brasilhas para as 81 cadeiras do Senado reúne 18 mulheres: sete classificadas à direita, seis à esquerda e cinco ao centro. Elas representam 22,2% da Casa.

Esse total inclui as eleitas em 2026 e as parlamentares com mandato em andamento, inclusive suplentes consideradas na composição do painel.

Olhando apenas para as 12 mulheres eleitas neste ano, são cinco à direita, quatro à esquerda e três ao centro. Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Carol de Toni estão no primeiro grupo; Marília Campos e Samanda Alves, no segundo. Marina JHC e Rayssa Furlan aparecem ao centro.

A projeção poderá mudar com substituições. O próprio painel registra, por exemplo, que uma vitória de Omar Aziz na disputa pelo governo do Amazonas abriria espaço para sua suplente, Cheila Moreira.

O avanço também aparece em eleições comparáveis

Em 2018, sete mulheres conquistaram uma das 54 vagas disputadas no Senado. Em 2026, foram 12 para o mesmo número de assentos. A participação feminina entre os eleitos passou de 13% para 22,2%.

No Senado, comparação entre eleições equivalentes

Mulheres eleitas entre as 54 vagas em disputa em 2018 e em 2026

  • 20187 de 54 vagas · 13,0%
  • 202612 de 54 vagas · 22,2%

Em 2018, 7 mulheres eleitas entre 54 vagas, 13%. Em 2026, 12 mulheres entre 54 vagas, 22,2%.

As duas eleições disputaram o mesmo número de assentos (54), o que permite a comparação direta. Em 2022 havia 27 vagas em disputa, metade do total. Fontes: Senado Federal e TSE.

Comparar apenas com as quatro eleitas em 2022 exige cuidado: naquele ano, havia 27 vagas em disputa, metade das oferecidas em 2026.

Os resultados ampliam a presença das mulheres sem produzir uma bancada politicamente uniforme. A esquerda tem maior peso feminino na Câmara. A direita lidera entre as senadoras. Nos dois casos, conquistar cadeiras será apenas uma parte da disputa por influência sobre as decisões do Congresso.

Como os dados foram organizados

A composição de 2027 e o enquadramento político seguem o Painel do Congresso 2027, do Brasilhas, na versão consultada pelo Parlatório. A contagem feminina foi realizada a partir da relação de parlamentares do painel. As séries históricas utilizam dados da Câmara, do Senado e do TSE. No Senado, a composição projetada inclui suplentes em exercício e está sujeita a alterações.

Mais dados sobre o próximo Congresso em brasilhas.com.br.

Fontes