CLDF terá cinco mulheres entre 24 cadeiras. O que muda desde 2022?
Bancada feminina cresce uma cadeira e chega a 20,8% da Câmara Legislativa. Mulheres eram 35% das candidaturas.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal terá cinco deputadas na legislatura que começa em janeiro de 2027. O resultado corresponde a 20,8% das 24 cadeiras da Casa. Em 2022, foram quatro mulheres eleitas, ou 16,7% do total.
A diferença é de uma cadeira e de 4,2 pontos percentuais. As cinco eleitas foram Estefane Sampaio (Republicanos), Keka Bagno (PSol), Renata D'Aguiar (Republicanos), Jaqueline Silva (MDB) e Dayse Amarilio (PSB).
Duas delas já exerciam o mandato e foram reeleitas: Jaqueline Silva e Dayse Amarilio. As outras três chegam à Casa pela primeira vez como titulares.
Quem chega e quem fica
A comparação com 2022 ajuda a entender o tamanho da mudança. Naquela eleição, foram eleitas Dayse Amarilio (PSB), Doutora Jane (Agir), Jaqueline Silva (Agir) e Paula Belmonte (Cidadania). Das quatro, duas não voltam: Doutora Jane disputou a reeleição e não conseguiu, e Paula Belmonte concorreu ao governo do DF.
As cinco deputadas eleitas
Estefane Sampaio, do Republicanos, Keka Bagno, do PSol, e Renata D'Aguiar, do Republicanos, estreiam. Jaqueline Silva, do MDB, e Dayse Amarilio, do PSB, foram reeleitas.
O avanço é pequeno em números absolutos, mas coloca a bancada feminina no maior patamar já registrado na Casa. Segundo estudo da Consultoria Técnico-Legislativa da própria CLDF, o maior número de deputadas por legislatura havia sido verificado na 4ª (2003-2006) e na 7ª (2015-2018), também com cinco nomes.
Uma cadeira a mais em oito anos
Em 2022, 4 mulheres eleitas entre 24 deputados distritais, 16,7%. Em 2026, 5 mulheres eleitas, 20,8%, e 19 homens, 79,2%. Aumento de uma cadeira e 4,2 pontos percentuais.
O caminho até a cadeira
A diferença entre estar na disputa e ocupar a vaga aparece nos números das candidaturas. Em 2026, 152 das 433 candidaturas a deputado distrital no DF eram de mulheres, o equivalente a 35,1% do total. Elas ficaram com 20,8% dos eleitos.
A taxa de sucesso, que divide o número de eleitos pelo de candidaturas do mesmo grupo, foi de 3,29% entre as mulheres e de 6,76% entre os homens. Em outras palavras: para cada cem candidatas, cerca de três se elegeram; entre os homens, quase sete.
Essa distância não se explica pela presença de mulheres no eleitorado. Elas somavam 1.219.697 de 2.253.132 eleitores no DF, ou 54% do total, segundo o levantamento publicado pelo Correio Braziliense. Na população, a participação é de 51,84%, de acordo com a PNAD Contínua citada pelo estudo da Casa.
O que o número não diz
Eleito não é o mesmo que em exercício. A composição de uma legislatura pode mudar com licenças, posse em cargos no Executivo e entrada de suplentes. O levantamento considera o resultado de cada eleição.
Há ainda um contraste que a soma das cadeiras esconde. Para a Câmara dos Deputados, o DF não elegeu nenhuma mulher em 2026, situação inédita desde 2006. No Senado, o estado terá três representantes mulheres, o maior número da próxima legislatura entre as Casas federais.
A próxima pergunta é sobre o espaço de decisão dentro da Casa. A presença no plenário é uma medida de representação. O lugar na Mesa Diretora, nas comissões e na condução das votações mostra quanto esse número se converte em poder de definir a agenda.