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Celina tenta evitar que a disputa pela CLDF divida sua base

Wellington Luiz busca caminho para permanecer na presidência, enquanto Eduardo Pedrosa mantém o nome à disposição. Governadora quer um acordo antes que a disputa deixe feridas entre aliados.

Redação Parlatório DF|

Celina Leão, sorrindo, fala ao microfone durante cerimônia de entrega de apartamentos no Riacho Fundo II
Celina Leão discursa na entrega de 44 apartamentos do Residencial Pedular, no Riacho Fundo II, em 20 de junho de 2026, evento em que defendeu a reeleição de Wellington Luiz na CLDF. · Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília · CC BY 4.0 · Fonte da foto

Celina Leão venceu a eleição para o governo, mas ainda precisa ajudar seus aliados a resolver uma disputa dentro de casa. A escolha do próximo presidente da Câmara Legislativa colocou Wellington Luiz (MDB) e Eduardo Pedrosa (União Brasil) em posições diferentes. A governadora quer evitar que essa concorrência se transforme em uma divisão logo no início do novo mandato.

Em entrevista ao Metrópoles, em 27 de outubro, Celina defendeu uma conversa para construir um acordo. Disse que não quer começar a próxima legislatura com uma Câmara dividida e afirmou que pretende conversar com os dois parlamentares. Ressalvou, porém, a independência do Legislativo.

O movimento tem uma razão prática. Uma base numerosa facilita a vida do governo, mas não elimina disputas por espaço. E a presidência da CLDF influencia a organização dos trabalhos, a condução das votações e a relação entre os deputados e o Executivo.

Wellington avança, mas a decisão não está tomada

Wellington Luiz preside a Câmara desde 2023 e foi reconduzido para o biênio 2025-2026. Agora, seus aliados trabalham para permitir uma nova candidatura.

Em 27 de outubro, a CLDF aprovou em primeiro turno a proposta de emenda à Lei Orgânica que altera as regras de reeleição da Mesa Diretora. Segundo o Correio Braziliense, foram 17 votos favoráveis e seis contrários. O texto ainda depende de uma segunda votação.

A aprovação representa uma demonstração de força do grupo de Wellington. Mas apoiar uma mudança na regra não equivale, automaticamente, a garantir voto na eleição da próxima Mesa.

Há também uma controvérsia jurídica. Os defensores da proposta sustentam que ela aproxima a regra distrital do entendimento aplicado ao Congresso Nacional na passagem entre legislaturas. Os críticos contestam essa interpretação. A disputa, portanto, ainda envolve tanto a negociação política quanto a possibilidade de questionamento judicial.

Pedrosa mantém a candidatura aberta ao entendimento

Eduardo Pedrosa votou contra a proposta e questionou sua segurança jurídica. Ao Metrópoles, afirmou que considera prejudicial à instituição recorrer novamente a uma mudança na Lei Orgânica para tratar da recondução da Mesa.

A divergência não foi apresentada por ele como um rompimento pessoal. Pedrosa disse manter amizade e respeito por Wellington, de quem apoiou as duas eleições anteriores para a presidência.

Também deixou uma condição para sua própria candidatura: ela precisa resultar de um entendimento com Celina e com os colegas. Ao afirmar que seu nome está à disposição, mas rejeitar uma disputa que divida o grupo, preservou espaço para negociar.

Essa posição dá à governadora uma oportunidade de mediação. Ainda não há, porém, um acordo anunciado que defina quem presidirá a Casa ou como os demais espaços serão distribuídos.

A maioria precisa funcionar depois da eleição

Para Celina, o desafio vai além de escolher um nome. Um acordo que resolva a presidência, mas deixe parte da base insatisfeita, pode transferir o conflito para as comissões e para as votações de interesse do governo.

A negociação também não se resume aos aliados do GDF. Wellington reúne apoio de parlamentares de esquerda, o que amplia sua capacidade de articulação e mostra que a eleição da Mesa segue uma lógica própria.

O desfecho será um primeiro teste da relação entre a governadora e a próxima Câmara. Celina quer transformar a maioria que a acompanha em uma base capaz de trabalhar em conjunto. Para isso, terá de ajudar a acomodar ambições sem tratar como resolvida uma disputa que ainda está aberta.

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