Celina chega à votação com vantagem ampla, e Grass depende de uma virada improvável
Últimas pesquisas mantêm governadora à frente por pelo menos 15 pontos. Ausência no debate deu espaço ao adversário, mas levantamentos não mostram reversão do cenário.

Celina Leão (PP) chega à véspera do segundo turno com uma vantagem que aparece em diferentes institutos e permanece distante das margens de erro. Leandro Grass (PT) ampliou sua presença na disputa, teve a oportunidade de falar sozinho na Globo e concentrou críticas nos serviços públicos. Os últimos levantamentos, porém, não indicam que tenha conseguido transformar essa exposição em uma aproximação suficiente para ameaçar a liderança da governadora.
Três institutos, a mesma liderança
O Datafolha divulgado neste sábado, 24 de outubro, aponta Celina com 59% dos votos válidos e Grass com 41%. Na Quaest, os percentuais são 61% e 39%. A AtlasIntel registra 57,9% para a governadora e 42,1% para o petista.
Últimas pesquisas — votos válidos
1.619 entrevistas entre 23 e 24 de outubro · margem de erro de 3 pontos nos votos válidos e 2 pontos nos votos totais · registro DF-03453/2026
2.652 entrevistas entre 23 e 24 de outubro · margem de erro de 2 pontos, confiança de 95% · registro DF-00368/2026
1.807 entrevistas entre 18 a 23 de outubro, pela internet · margem de erro de 2 pontos, confiança de 95% · registro DF-08658/2026
Datafolha: Celina 59%, Grass 41%. Quaest: Celina 61%, Grass 39%. AtlasIntel: Celina 57,9%, Grass 42,1%.
A distância varia de 15,8 a 22 pontos percentuais. Os institutos utilizam métodos e períodos de coleta diferentes, mas chegam à mesma conclusão: Celina lidera com folga.
No Datafolha, a governadora passou de 60% para 59%, enquanto Grass foi de 40% para 41%. A oscilação está dentro da margem de erro e não permite afirmar, por si só, que esteja em curso uma recuperação capaz de mudar o vencedor.
O debate que virou entrevista
A última oportunidade de confronto direto na Globo não aconteceu. Celina não compareceu ao programa de quinta-feira, 22 de outubro, e Grass foi entrevistado individualmente.
A campanha da governadora justificou a ausência com um compromisso previamente marcado e criticou o tom adotado pelo adversário durante a disputa. Grass contestou essa versão e procurou apresentar a decisão como sinal de que Celina considerava a eleição resolvida.
O espaço permitiu ao petista defender propostas e cobrar respostas sobre saúde, educação e a crise do BRB, sem a presença da adversária para rebater.
Politicamente, foi uma oportunidade para Grass. O efeito sobre o voto, contudo, não pode ser presumido. As pesquisas finais mantêm uma distância expressiva, mas também não permitem medir isoladamente quanto a entrevista influenciou cada eleitor.
O desafio era ultrapassar a própria base
Grass precisava conquistar eleitores que não escolheram o PT no primeiro turno e que poderiam ter ressalvas ao partido. Na entrevista, tentou deslocar o debate para o atendimento nos hospitais, as creches e as condições dos serviços públicos.
Esse caminho procurava transformar insatisfação com a gestão em apoio à oposição. As duas coisas, porém, não acontecem automaticamente. Um eleitor pode criticar o governo e ainda preferir sua continuidade à alternativa apresentada.
Celina, por sua vez, encerrou a campanha amparada por lideranças da direita. Michelle Bolsonaro participou do último ato ao lado da governadora, reforçando uma aliança que também reúne Bia Kicis e Damares Alves.
Favoritismo não dispensa mobilização
Para Celina, a tarefa final é levar às urnas o apoio registrado pelos institutos e evitar que a confiança na vitória diminua a mobilização de seus eleitores.
Para Grass, seria necessário combinar comparecimento forte de sua base, conquista de votos de outros grupos e um desempenho superior ao captado nas pesquisas.
A votação de domingo será a decisão definitiva. Na chegada, entretanto, o cenário é claro: Celina tem uma vantagem ampla; Grass precisa produzir uma surpresa que os levantamentos disponíveis não anteciparam.