Pular para o conteúdo

DFBastidores

Celina chega à votação com vantagem ampla, e Grass depende de uma virada improvável

Últimas pesquisas mantêm governadora à frente por pelo menos 15 pontos. Ausência no debate deu espaço ao adversário, mas levantamentos não mostram reversão do cenário.

|

Celina Leão, de boné e camisa azuis com o número 11, discursa ao microfone para apoiadores durante carreata da campanha
Celina Leão discursa ao microfone em ato da campanha de 2026, em foto divulgada pela campanha em 5 de outubro de 2026. · Foto: Álame Fabiano/Vinícius Saiki, divulgação campanha Celina Leão · Fonte da foto

Celina Leão (PP) chega à véspera do segundo turno com uma vantagem que aparece em diferentes institutos e permanece distante das margens de erro. Leandro Grass (PT) ampliou sua presença na disputa, teve a oportunidade de falar sozinho na Globo e concentrou críticas nos serviços públicos. Os últimos levantamentos, porém, não indicam que tenha conseguido transformar essa exposição em uma aproximação suficiente para ameaçar a liderança da governadora.

Três institutos, a mesma liderança

O Datafolha divulgado neste sábado, 24 de outubro, aponta Celina com 59% dos votos válidos e Grass com 41%. Na Quaest, os percentuais são 61% e 39%. A AtlasIntel registra 57,9% para a governadora e 42,1% para o petista.

Últimas pesquisas — votos válidos

Celina Leão lidera nos três levantamentos divulgados em 24 de outubro

Datafolha · diferença de 18 pontos

Celina Leão (PP)59%
Leandro Grass (PT)41%

1.619 entrevistas entre 23 e 24 de outubro · margem de erro de 3 pontos nos votos válidos e 2 pontos nos votos totais · registro DF-03453/2026

Quaest · diferença de 22 pontos

Celina Leão (PP)61%
Leandro Grass (PT)39%

2.652 entrevistas entre 23 e 24 de outubro · margem de erro de 2 pontos, confiança de 95% · registro DF-00368/2026

AtlasIntel · diferença de 15,8 pontos

Celina Leão (PP)57,9%
Leandro Grass (PT)42,1%

1.807 entrevistas entre 18 a 23 de outubro, pela internet · margem de erro de 2 pontos, confiança de 95% · registro DF-08658/2026

Datafolha: Celina 59%, Grass 41%. Quaest: Celina 61%, Grass 39%. AtlasIntel: Celina 57,9%, Grass 42,1%.

Votos válidos, escala de 0 a 100. Cada instituto é apresentado separadamente, sem média; diferenças não são probabilidades de vitória. No Datafolha anterior, de 22 de outubro, o placar era 60% a 40%; a oscilação está dentro da margem de erro e não indica tendência comprovada. Fontes: Datafolha (Folha de S.Paulo), Quaest (CNN Brasil) e AtlasIntel (Agência Estado, via UOL).

A distância varia de 15,8 a 22 pontos percentuais. Os institutos utilizam métodos e períodos de coleta diferentes, mas chegam à mesma conclusão: Celina lidera com folga.

No Datafolha, a governadora passou de 60% para 59%, enquanto Grass foi de 40% para 41%. A oscilação está dentro da margem de erro e não permite afirmar, por si só, que esteja em curso uma recuperação capaz de mudar o vencedor.

O debate que virou entrevista

A última oportunidade de confronto direto na Globo não aconteceu. Celina não compareceu ao programa de quinta-feira, 22 de outubro, e Grass foi entrevistado individualmente.

A campanha da governadora justificou a ausência com um compromisso previamente marcado e criticou o tom adotado pelo adversário durante a disputa. Grass contestou essa versão e procurou apresentar a decisão como sinal de que Celina considerava a eleição resolvida.

O espaço permitiu ao petista defender propostas e cobrar respostas sobre saúde, educação e a crise do BRB, sem a presença da adversária para rebater.

Politicamente, foi uma oportunidade para Grass. O efeito sobre o voto, contudo, não pode ser presumido. As pesquisas finais mantêm uma distância expressiva, mas também não permitem medir isoladamente quanto a entrevista influenciou cada eleitor.

O desafio era ultrapassar a própria base

Grass precisava conquistar eleitores que não escolheram o PT no primeiro turno e que poderiam ter ressalvas ao partido. Na entrevista, tentou deslocar o debate para o atendimento nos hospitais, as creches e as condições dos serviços públicos.

Esse caminho procurava transformar insatisfação com a gestão em apoio à oposição. As duas coisas, porém, não acontecem automaticamente. Um eleitor pode criticar o governo e ainda preferir sua continuidade à alternativa apresentada.

Celina, por sua vez, encerrou a campanha amparada por lideranças da direita. Michelle Bolsonaro participou do último ato ao lado da governadora, reforçando uma aliança que também reúne Bia Kicis e Damares Alves.

Favoritismo não dispensa mobilização

Para Celina, a tarefa final é levar às urnas o apoio registrado pelos institutos e evitar que a confiança na vitória diminua a mobilização de seus eleitores.

Para Grass, seria necessário combinar comparecimento forte de sua base, conquista de votos de outros grupos e um desempenho superior ao captado nas pesquisas.

A votação de domingo será a decisão definitiva. Na chegada, entretanto, o cenário é claro: Celina tem uma vantagem ampla; Grass precisa produzir uma surpresa que os levantamentos disponíveis não anteciparam.

Fontes