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A atual CLDF vai decidir parte das prioridades do próximo mandato de Celina

Orçamento de 2027 passa pelos deputados antes da posse da nova legislatura. Cada distrital poderá indicar R$ 38,5 milhões em emendas.

Redação Parlatório DF|

Vista ampla do plenário da Câmara Legislativa do DF, com deputados distritais nas bancadas durante sessão ordinária
Plenário da Câmara Legislativa durante sessão ordinária, em 24 de setembro de 2024. Foto de arquivo. · Foto: Agência CLDF · CC BY 2.0 · Fonte da foto

A eleição definiu quem vai governar e quem terá assento na Câmara Legislativa a partir de 2027. Mas uma parte das decisões sobre o dinheiro do próximo ano ainda cabe aos deputados que encerram seus mandatos em dezembro.

É a atual legislatura que analisará o orçamento para o primeiro ano do novo mandato de Celina Leão. Nessa votação, os distritais poderão alterar a distribuição dos recursos e indicar investimentos por meio de emendas.

Segundo a Secretaria de Economia, cada parlamentar poderá destinar R$ 38,5 milhões para 2027. Considerados os 24 deputados, são R$ 924 milhões em indicações. A conta dá a dimensão da influência da Câmara sobre a escolha de obras, serviços e projetos que poderão receber dinheiro no próximo ano.

O governo apresenta suas prioridades

Para orientar essas escolhas, a Secretaria de Economia apresentou à CLDF um caderno com 585 sugestões de investimentos. As propostas estão distribuídas por oito áreas, entre elas saúde, educação, segurança e desenvolvimento social.

Segundo o governo, o documento reúne projetos com viabilidade técnica comprovada e condições de execução. A intenção é aproximar as emendas dos deputados das ações planejadas pelas secretarias.

O caderno funciona como orientação. A escolha das indicações cabe aos parlamentares, que também levam à negociação as demandas de suas bases eleitorais.

É nesse encontro entre planejamento do Executivo e prioridades dos deputados que o orçamento ganha sua forma final.

R$ 80,1 bilhões não significam dinheiro livre

A proposta enviada pelo GDF à Câmara prevê um volume total de aproximadamente R$ 80,1 bilhões, considerando o orçamento local, os investimentos das estatais abrangidas pela proposta e os recursos estimados do Fundo Constitucional.

Desse conjunto, cerca de R$ 30,3 bilhões correspondem ao Fundo Constitucional, destinado à segurança pública, à saúde e à educação. Esses recursos têm finalidade específica e não podem ser tratados como uma reserva disponível para qualquer promessa de campanha.

O valor global também não representa dinheiro já arrecadado. É uma previsão para o próximo exercício, sujeita ao comportamento das receitas e às regras de execução.

Para avaliar as prioridades do governo, portanto, será necessário olhar além do total: quanto está comprometido com despesas permanentes, quanto sustenta os serviços existentes e quanto poderá financiar novas entregas.

A votação não encerra a fiscalização

O orçamento de 2027 será elaborado sob as diretrizes da LDO aprovada neste ano. A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece metas e orientações; a Lei Orçamentária Anual detalha a previsão de receitas e a distribuição das despesas.

A distinção importa porque uma autorização no papel não garante, por si só, a entrega de uma obra ou a contratação de um serviço. Depois da aprovação, será preciso acompanhar a execução, os pagamentos e os resultados.

Na saúde, por exemplo, a fiscalização precisa chegar ao funcionamento da rede. O recurso previsto se transformou em atendimento? Houve compra e entrega de medicamentos? O serviço contratado começou a funcionar?

A atual Câmara participará da definição do ponto de partida. À próxima legislatura caberá acompanhar o que o governo fará com o orçamento aprovado.

Para o brasiliense, essa passagem de responsabilidade importa tanto quanto a troca de cadeiras no plenário. As decisões tomadas antes da posse terão efeitos sobre os serviços públicos ao longo de 2027.

Fontes