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Maioria para governar. Espaço para fiscalizar?

Daniel Vilela terá uma aliança numerosa na Alego. Relação com o Executivo será medida também pela disposição dos deputados de cobrar explicações.

Redação Parlatório GO|

Parlamentares reunidos na mesa da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alego, com bandeiras de Goiás e do Brasil ao fundo
Parlamentares durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alego, em registro de setembro de 2025. Foto de arquivo, não da próxima legislatura. · Foto: Carlos Costa/Alego · Fonte da foto

Daniel Vilela começará o próximo mandato com uma posição favorável na Assembleia Legislativa. Os partidos de sua coligação elegeram 26 dos 41 deputados estaduais, segundo levantamento do Nexo. A conta representa aproximadamente 63% das cadeiras, mas descreve a aliança eleitoral, não um compromisso permanente de voto.

Outros levantamentos já apontaram uma base mais ampla. O Popular informou, depois da eleição, que o governador contava com pelo menos 27 deputados. A diferença mostra por que é necessário distinguir o partido que participou da campanha da posição que cada parlamentar pretende assumir na legislatura.

Estar fora da coligação não define oposição

Não é correto transformar automaticamente os demais eleitos em um bloco oposicionista. Alguns podem apoiar projetos específicos, negociar aproximação ou manter uma atuação independente.

O mesmo vale para a base governista. Deputados aliados podem concordar com a orientação geral do governo e divergir sobre orçamento, prioridades regionais ou decisões administrativas.

Para quem acompanha a Alego, a composição partidária será um ponto de partida. A atuação nas comissões, os pedidos de informação e as votações mostrarão como essa distribuição funciona na prática.

Fiscalização também depende de articulação

Uma CPI, por exemplo, exige requerimento de pelo menos um terço dos integrantes da Assembleia, além dos demais requisitos. Em uma Casa com 41 deputados, isso corresponde a 14 assinaturas. Reunir esse apoio pode exigir conversas que ultrapassem um grupo político.

A fiscalização cotidiana, porém, não se resume às comissões de inquérito. Inclui examinar despesas, acompanhar contratos, questionar resultados e cobrar informações do Executivo.

Uma base numerosa pode facilitar a aprovação de projetos. A qualidade da relação entre os poderes dependerá também de quanto os parlamentares estarão dispostos a examinar essas propostas e cobrar sua execução, inclusive quando forem aliados do governador.

Fontes