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Gustavo Rocha, dos bastidores do governo à vice de Celina

Advogado, professor e ex-ministro, o vice-governador eleito construiu sua carreira na articulação jurídica e administrativa antes de disputar seu primeiro cargo nas urnas.

Redação Parlatório DF|

Gustavo Rocha, de terno e gravata, gesticula com as duas mãos durante entrevista, sozinho no quadro
Foto de arquivo: Gustavo Rocha, então ministro dos Direitos Humanos, durante entrevista à Agência Brasil, em Brasília, em julho de 2018. · Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil · Reprodução jornalística autorizada com crédito · Fonte da foto

Gustavo Rocha chegou à eleição de 2026 com uma experiência diferente da de muitos candidatos. Nunca havia disputado um cargo eletivo, mas conhecia por dentro os caminhos do governo. Antes de ser eleito vice na chapa de Celina Leão, passou pelo Ministério dos Direitos Humanos, pela Secretaria de Justiça do DF e pela Casa Civil do Buriti.

Sua trajetória foi construída principalmente em funções de articulação. São cargos em que parte importante do trabalho acontece antes do anúncio público: examinar decisões, coordenar órgãos e ajudar a transformar propostas em medidas que possam ser executadas.

A eleição o colocou em outra posição. Depois de atuar como auxiliar de governantes, Gustavo passou a integrar uma chapa escolhida pelo eleitor para comandar o Distrito Federal.

A origem no Direito

Nascido em Belo Horizonte, em 1973, Gustavo do Vale Rocha fez sua carreira profissional em Brasília. Formou-se em Direito pelo UniCEUB, onde também concluiu o mestrado em Direito e Políticas Públicas e atuou como professor.

A advocacia e a docência antecederam sua passagem pelos principais cargos públicos. No Conselho Nacional do Ministério Público, ocupou a vaga destinada à indicação da Câmara dos Deputados.

Durante o governo de Michel Temer, foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Em 2018, assumiu o Ministério dos Direitos Humanos.

A passagem pelo governo federal reuniu duas dimensões de sua formação: o exame jurídico das decisões e a atuação em políticas públicas.

O caminho até o Buriti

Gustavo entrou no governo de Ibaneis Rocha em 2019, como secretário de Justiça e Cidadania. Também passou pela assessoria de Estratégia antes de assumir a Casa Civil, em junho de 2020.

Permaneceu à frente da pasta até 2026. A função o colocou no centro da coordenação administrativa do GDF, com participação na articulação entre órgãos e no acompanhamento de projetos junto à Câmara Legislativa.

Essa experiência ajuda a explicar seu espaço na política distrital. Gustavo construiu sua presença no funcionamento cotidiano do governo, em contato com secretários, parlamentares e representantes de outras instituições.

Sua exoneração da Casa Civil foi publicada em abril de 2026, no período de preparação para a disputa eleitoral.

Da função de auxiliar ao mandato eleito

Filiado ao Republicanos, Gustavo foi escolhido para compor a chapa de Celina Leão e eleito vice-governador em outubro de 2026.

A candidatura enfrentou questionamentos sobre seu afastamento das funções públicas dentro do prazo eleitoral. Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do DF deferiu o registro por cinco votos a um. Segundo a decisão relatada pelo Metrópoles, os elementos apresentados não demonstraram que ele continuasse exercendo atribuições próprias da Casa Civil após a exoneração.

A vitória marca uma mudança importante em sua carreira. O conhecimento da máquina pública permanece como parte de sua experiência, mas o mandato acrescenta uma responsabilidade direta perante o eleitor.

Ao lado de Celina, Gustavo representa também uma ligação com a administração de Ibaneis, da qual foi um dos principais auxiliares. Sua trajetória ajuda a entender essa continuidade: antes de chegar à vice-governadoria, já havia participado durante anos das decisões do Buriti.

Fontes