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Daniel apoiou Flávio. Agora quer negociar com Lula pelos interesses de Goiás

Governador reconheceu o resultado presidencial, descartou oposição sistemática e apontou o financiamento da saúde como uma das prioridades na relação com a União.

Redação Parlatório GO|

Daniel Vilela, de terno escuro e gravata azul, fala ao microfone sentado à mesa na Câmara dos Deputados
Foto de arquivo: Daniel Vilela, então deputado federal, fala ao microfone na Câmara dos Deputados em 23 de setembro de 2015. Não retrata negociação atual com Lula. · Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados · CC BY 3.0 · Fonte da foto

Daniel Vilela (MDB) entrou no segundo turno como apoiador de Flávio Bolsonaro e saiu dele defendendo a necessidade de conversar com Lula. Depois de reconhecer a vitória do presidente, o governador de Goiás afirmou que não pretende fazer oposição sistemática ao governo federal e que buscará colaboração sempre que os interesses do estado dependerem da União.

A sinalização não representa adesão ao governo petista. Daniel manteve as críticas à condução econômica e cobrou uma relação sem retaliações políticas. Mas indicou que a disputa eleitoral não deve impedir a negociação entre as duas administrações.

O tom mudou depois das urnas

Durante a campanha, Daniel defendeu a troca de comando no país. Em ato de apoio a Flávio, no dia 6 de outubro, criticou a eficiência do governo federal e a falta de investimentos em Goiás. Ao lado de Ronaldo Caiado, mobilizou sua base pela candidatura do PL.

Depois da eleição, reconheceu a soberania das urnas e passou a enfatizar a relação institucional. A posição preserva sua liberdade de criticar Lula, mas abre caminho para acordos em áreas nas quais os governos precisam atuar juntos.

O desafio será transformar essa disposição em uma agenda de trabalho, com demandas, valores, prazos e responsabilidades definidos.

A saúde está na frente da fila

Entre as prioridades citadas por Daniel está a ampliação do apoio federal à saúde pública. Segundo o Jornal Opção, o governador afirmou que continuará cobrando recursos para o setor e mencionou a discussão levada por Caiado ao Supremo Tribunal Federal sobre o financiamento da saúde em Goiás.

Na mesma entrevista, Daniel evitou detalhar outras reivindicações e disse que o planejamento estadual será mantido, com execução das prioridades próprias e cobrança de investimentos e repasses federais.

A demanda oferece um primeiro teste para a relação com Brasília. Para a população, o resultado relevante será o efeito sobre consultas, exames, cirurgias e atendimento hospitalar. A negociação precisará mostrar quanto cada governo poderá aportar e como os recursos serão aplicados.

A bancada também entra na conversa

Daniel sinalizou que não criará obstáculos a parlamentares goianos interessados em integrar a base do presidente. Ao comentar essa possibilidade, afirmou que pretende construir soluções em defesa de Goiás.

Isso permite que a interlocução ocorra por diferentes caminhos. O governo estadual pode manter uma posição política independente enquanto deputados e senadores negociam projetos, recursos e participação na administração federal.

O arranjo também exigirá coordenação. Ter vários interlocutores ajuda quando há prioridades claras; sem elas, a disputa por protagonismo pode fragmentar as reivindicações do estado.

Colaboração terá de produzir resultado

Reconhecer a vitória de Lula e defender o diálogo foi o primeiro movimento. Ainda não há, nessas declarações, um pacote de compromissos acertado entre o governador e o presidente.

A próxima etapa será apresentar as prioridades goianas e acompanhar as respostas da União. Também caberá distinguir recursos obrigatórios, compromissos já assumidos e novos investimentos negociados.

Daniel fez campanha por outro presidente. Agora terá de trabalhar com o que foi eleito. O tamanho dessa relação será medido menos pela proximidade entre os dois e mais pelo que ela conseguir entregar aos goianos.

Fontes